Thursday, June 23, 2005

Tripping in Cambodia - part IV - 'A descoberta da cidade perdida - Angkor

Imagino eu que deveria ter sido assim ou algo semelhante a experiencia de Henri Mouhot, quando em 1860, algures no nordeste do Cambodja, decidiu por curiosidade, ir ver mais de perto que pedras eram aquelas cobertas pela vegetacao. Mal diria ele que o levantar duns ramos de lianas iriam por a descoberto nao um monte de pedras mas as ruinas duma capital perdida dum imperio desfeito por homens, pelo tempo e pela natureza.

Ao caminhar-se entre as ruinas dos templos, sente-se uma energia particular. Algo se apodera de nos, transmitindo-nos uma enorme paz de espirito, serenidade, apreensao e curiosidade. Uma estranha energia libertada pelas ruinas repousa dentro de nos sob forma de calmaria e rendicao, fazendo-nos sentir que o passado de certo modo continua presente naquelas pedras.

Em 1992, a UNESO atribui a Angkor, o estatuto de Patrimonio Mundial em risco.

"Angkor is one of the most important archaeological sites in South-East Asia. Stretching over some 400 sq. km, including forested area, Angkor Archaeological Park contains the magnificent remains of the different capitals of the Khmer Empire, from the 9th to the 15th century."

Mas mais informacoes 'a cerca de Angkor e sua historia, clique aqui.
Entretanto vamos la' dar uma voltinha!

La’ ao longe, por entre a vegetacao densa da selva avistam-se uns pedragulhos ponteagudos


Ao caminhar por entre a selva, deparamo-nos de quando em quando com amontoados de pedras
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olhando de perto ainda se consegue ver que outrora foram mais do que isso:
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A natureza e’ forte e acabou por vencer ao fim de tantos seculos de abandono:


E das ruinas renasce vida
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os registos de outras epocas deixam-nos divagar sobre a actividade duma civilizacao perdida no tempo e no espaco



Depois de tantos seculos de abandono, renasce tambem a vontade de dar vida ‘as pedras que um dia a representaram.


E algumas delas ainda mantem a sua imponência como se nunca tivessem deixado de ser adoradas


‘A volta deste museu vivo de misterio e historia, repousam lagos reflectindo serenamente as imagens dum passado que se misturam com o presente.
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Photos by me at Angkor, Feb.1996

Amanha: A Magia de Angkor Watt

Wednesday, June 22, 2005

Tripping in Cambodia - part III - "Voyage à Siam"

‘A medida que os dias foram passando, o nosso medo e preocupacao foi dando lugar a um sentimento de compaixao e simpatia pelas pessoas de Phnom Penh.
Fomos ouvindo as suas historias dramaticas que viveram durante os ultimos anos sempre em guerra. Reparavamos que nao era com revolta que nos contavam os seus dramas nem com inveja que nos olhavam. Eram seres humanos conscientes da suas condicoes precarias mas felizes por ja’ nao estarem em guerra e por nos ver ali com eles. Davamos-lhes a ideia que os estrangeiros voltavam a ter confianca no seu pais. Os sorrisos genuinamente cativantes e humildes, associados ao que ouviamos e ao que viamos contagiou-nos duma imensa compaixao e auto-consciencializacao de como nos ocidentais temos tanto e nem sempre sabemos aperciar o paraiso em que vivemos.
Gerou-se entre nos um ‘a vontade entre aquele povo cativante que esquecemos completamente os riscos que corriamos (as barcacas eram por vezes atacadas pelos Khmer Rouge) e resolvemos ir para Siem Reap de barco.

Tal como o Henri Mouhot, explorador frances(1826-1861), o tinha feito em Janeiro de 1860 quando andava em busca dum acesso ‘a China a partir de Phom Penh, seguindo o Mekong para norte, acabando por descobrir uma vasta area de monumentos em ruinas – Angkor – o destino da nossa aventura.

As 6 horas de viagem, de Phnom Penh a Siem Reap, a subir o rio Mekong numa barcaça, sentados em sacos de arroz, deu para ir apreciando a paisagem, por vezes dando-nos a sensacao de que estavamos a viver um filme, mais concretamente o Apocalypse Now.

Este tempo deu tambem para descobrir a obra de Henri Mouhot, “Voyage à Siam et dans le Cambodge”. Foi com esta publicacao que o mundo occidental retomou contacto com a existencia duma cidade perdida da antiguidade, Angkor (capital do imperio Khmer, construida entre os sec IX e XIII). Henri Mouhot, designa esta parte do mundo por Siam, pois na altura (sec XIX), esta regiao, outrora pertencente ao imperio Khmer, pertencia a Siam. Para mais promenores deste periodo da historia dos imperios Siam e Khmer, clique aqui.

Entretanto, rio acima, a meio da viagem, entra-se no vasto imenso lago Tonle’ Sap, que mais parece um oceano, com povoacaoes flutuantes.

‘A medida que iamos subindo o rio, o que viamos e aprendiamos e sobretudo a humildade das pessoas, mexia conosco la' por dentro.

E foi assim que apos uma viagem fascinante e espiritualmente enriquecedora, chegamos a Siem Reap - cidade do Cambodja perto das ruinas de Angkor.

Amanha: Tripping in Cambodia - part IV - "'A descoberta da cidade perdida - Angkor"

Tuesday, June 21, 2005

Tripping in Cambodia - part II - The Streets of Phnom Penh

Phnom Penh em 1996, era uma cidade cinzenta, poeirenta e semi destruida. As crateras no meio das ruas, resultantes dos bombardeamentos, os edificos em ruinas e queimados, faziam-nos sentir que a guerra ainda nao tinha terminado.
A pobreza e o enorme numero de amputados provocava em nos uma angustia impotente!
Esta viajem ao Cambodga foi uma das mais marcantes para mim e contribuiu muito para que eu nunca mais me apetecesse ir embora da Asia.
Estao prontos? Vamos la' dar uma voltinha por Phon Phen:

Nao, nao sao os beatles... tambem pensei o mesmo!

Buddhist Monks - Phnom Penh - Feb.1996

O transito nao era caotico, simplesmente nao o havia...

Streets of Phnom Penh - Feb.1996

sendo mais frequente as creteras nas ruas resultantes dos bombardeamentos.

Streets of Phnom Penh - Feb.1996

O comercio comecava a emerigir e tentava-se fazer negocio em qualquer esquina

"barber shop" in the streets of Phnom Penh - Feb.1996

os postos de abastecimento de combustivel tambem, como o resto, eram em instalacoes muito humildes

"gas station" in the streets of Phnom Penh - Feb.1996

e vendiam-nos a gasolina em garrafas de refrigerantes.

"gas station" in the streets of Phnom Penh - Feb.1996

As regras basicas de seguranca eram desconhecidas para muitos

"gas station" in the streets of Phnom Penh - Feb.1996

e a 'seguranca' publica era ensaiada por policias, jovens filhos da guerra


e tropas que mantinham uma ordem... armada a chicote

Streets of Phon Phen - Feb.1996

E eram assim as ruas de Phnom Penh em 1996, emergindo dum periodo tragico e violento, onde se tentava apagar as marcas da guerra, distraindo a fome com sorrisos de esperanca de nunca mais voltar ao passado que na altura se tentava enterrar nas creteras das ruas de Phon Penh.

Children of Phnom Penh - Feb.1996

Nao perca amanha: Tripping in Cambodia - part III - "Voyage à Siam"

Monday, June 20, 2005

Tripping in Cambodia - part I

Estavamos em Dezembro de 1995, ha' um ano que me tinha instalado no sudoeste asiatico e de certo modo, ainda me sentia "de passagem" neste fascinante continente. Mais um ano novo chines se aproximava, o que significava mais umas ferias.
Lembro-me dessa altura recordar aquela sensacao de plena liberdade de escolha que se tem quando se faz o inter-rail, a liberdade de escolher a proxima paragem. Assim de mapa 'a minha frente, olho para o sudeste-asiatico e sem hesitar muito, escolho o Cambodja – sempre quis ir a Angkor Watt, e finalmente iria ter essa oportunidade, no meu segundo ano novo chines (o Ano do Rato) na Asia.
Nao liguei muita importancia ‘a admiracao feita pelo agente de viagens - "Cambodja, sure?!" - e acabei por obter o bilhete de aviao e o visto em relativamente pouco tempo. Foi so’ mais tarde, em conversa entre colegas, quando anunciei a minha decisao e vi as reaccoes deles, que pensei e compreendi a apreensao do agente de viagens (mal explicada por barreira de comunicacao). Literalmente todos me aconselharam a desistir da viagem pois a situacao no Cambodja era longe de ser considerada segura.
Na altura, o acesso ‘a internet era ainda muito restrito mas com alguma investigacao, acabei por compreender o porque da inquietacao dos meus colegas:
Em 1996, os Khmer Rouge ainda eram activos no Cambodja e nas ultimas tentativa de se fazerem ouvir / notar, atacavam com frequencias alvos civis.
Outra ameaca e risco permanenete eram as minas, como resultado de duas decadas de guerra, o Cambodja estava perigosamente minado.

"1994, Jul 26 - In Cambodia 3 Western backpackers were kidnapped from a train by the Khmer Rouge. The surprise train attack left 13 dead. Frenchman Michel Braquet, Briton Mark Slater, and Australian David Wilson were held at the base of Nuon Paet, who later ordered them killed.

1994 - Cambodia’s 7 million mines amount to two for every single Cambodian child, and between 200 and 250 people become victims every month.

1996, Mar - The Khmer Rouge kidnapped Christopher Howes, a mine-clearing expert from Bristol, England, and Hun Hourth, his interpreter. They were released on Nov 20 by defecting guerrillas. It was reported in 1998 that the two men were killed shortly after their abduction.

1996, Apr 16 - Khmer Rouge guerillas attacked a group of tourists near Kompot, 85 miles southwest of Phnom Penh. Reports have it that they killed and wounded a number of people and kidnapped about 20."


(E infelizmente assim continuou a ser ate' 1999 - um ano depois da morte de Pol Pot - a violencia e turbulencia politica comecam a acalmar. Para mais detalhes historicos do Cambodja, clique aqui).

Confesso que tentei desistir da viagem mas o reembolso nao era possivel e atendendo ‘a epoca do ano, nao consegui lugar num outro voo para outro destino da regiao.
A medo, a verdade seja dita, e pela primeira vez antes de uma viagem, hesitei, mas acabei por me por a caminho!

E foi assim, que em Fevereiro de 1996, aterrava em Phnom Penh para uma aventura num Cambodja ainda aterrorizado pelos Khmer Rouge, comandados ainda pelo criminoso Pol Pot.


Royal Cambodia Airlines - Phnom Penh, Cambodia - Feb.1996

Friday, June 17, 2005

E quando o Noe' nao vem...


Dois navegadores deslocam-se nas ruas de Tainan, em meios de transporte improvisados e adequados 'as condicoes do terreno.

foto gentilmente roubada ao Taipei Times

dasssse que ja' chateia!

A chover,
do trabalho para casa...


...da mercearia para casa...


sempre a chover...

A assunto esta a tornar-se chaterrimo, agora a serio meu, read my lips:
FECHA LA' A TORNEIRA, PORRRRRRRRRRA!

fotos gentilmente roubadas ao Taipei Times

Thursday, June 16, 2005

fardas e chuvas - a saga continua... ensemble

Este blogue ultimamente so' tem sido fardas militares e chuvas, hoje para variar combinam-se as duas num so post:

Soldados Taiwanenses ajudam na distribuicao de alimentos a povoacoes aquaticamente isoladas.

O' pa' mas a serio, a chuva nao para mesmo. E quando digo "nao para" e' textual! Desde sexta feira 'a noite que cai agua dos ceus cinzentoes, sem parar.

SEM PARRRRAAAAARRRRR!!!!!!!!! para alem de ser deprimente, e' enervante e deprime! Estamos isolados, nao se pode sair (a gente aqui nao tem carros, so lambretas que nao se adaptam a jet-skies)!

O pessoal ca' da terra diz que nunca assim foi, nao ha memoria de chuvas assim, continuas sem parar durante mais de 6 dias.
O pior e' que as previsoes dizem que nao vai parar tao cedo.
Isto nao esta' mesmo para brincadeiras, pois o pessoal ja' anda 'a pesca de camaroes nas ruas:

Pesca do camarao nos canais (antigas ruas) da vila de Nanlong

fotos gentilmente roubadas ao Taipei Times.

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Vai-te preparando Noe'!

Wednesday, June 15, 2005

Ontem, Hoje, Amanha

Se no passado domingo eu tivesse esperado que a chuva parasse para regressar a casa ainda agora la' estava, a nadar decerto.
Ja' 'a 6 dias que nao para de chover em Taiwan e as previsoes apontam para que assim se mantenha ate' aos meados da semana que vem.

Ontem andava-se ca' assim:

E dos ceus, observava-se o nuvao que persiste permanecer sobre nos:
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Hoje anda-se assim:

E dos ceus, observa-se o nuvao que se expande, parecendo que se alimenta de si proprio:
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E amanha se a intensidade nao parar (sim porque a chuva, essa ja' sabemos que nao vai parar), Taiwan podera' se parecer com algo assim:
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Subitas rajadas de vento bufaram do Sul.

A chuva tocada 'a vento, bate de forma persistente sem piedade e inclinada.
O tempo que aqui faz, faz-me lembrar o livro que ando a ler e tao apropriado ao momento, deixo aqui uma passagem em tom de homenagem ao Homem que o escreveu, que contribuiu para o rumo da nossa Historia e que nos deixou recentemente:

"Subitas rajadas de vento bufaram do Sul. Com estardalhaco, uma chapa de zinco, vinda nao se sabe donde, voo de um lado da estrada...
o vento soprou mais forte, o ar escureceu, o ceu pegou-se 'a terra, os fios de agua continuaram a engrossar."


in "Ate Amanha, Camaradas" de Manuel Tiago, pseudonimo de Alvaro Cunhal 1913-2005

Monday, June 13, 2005

Chuva derrota Dragao

Quando sexta feira ao fim da tarde, saimos do trabalho rumo a um fim de semana apetecido e olhei para o por do sol num ceu limpo decorado de nuvens d'algodao branco, disse para os colegas:
- Finalmente um fim de semana com bom tempo!
- E talvez nao... olha para as montanhas!
Viro-me para oriente e logo compreendi a razao das suas duvidas, sem no entanto perder a esperanca de que a nuvem negra que espreitava por traz das montanhas nao passasse de um mau agoiro passageiro!
Mas assim nao foi, essa nuvem negra era mesmo real e depressa cobriu os ceus desta ilha, acabando por rasgar-se sexta-feira 'a meia noite, desabando o seu conteudo de forma intensa e pesada.
De manha, apesar do tom cinzento e do aspecto molhado da paisagem, nao chovia e os dragoes baloucavam-se tranquilamente nas aguas do rio, deixando uma restia de esperanca que afinal tudo iria correr como planeado!


Mas mais uma vez assim nao foi, por volta da 15H, duas horas antes da competicao, a nuvem negra abre-se de novo e desta feita sem parar!
O ambiente de arraial, palcos e barracas de comes e bebes comecam-se a proteger das aguas que vindas de todos os lados e direccoes.


A nuvem negra teimava a nao parar e olhando os ceus, receava-se o pior, mas sendo a esperanca a ultima a morrer eis que se iniciam os ultimos preparativos e exercicios de aquecimento:

A chuva nao para, nem tao pouco a sua intensidade, mas a esperanca de poder demonstrar o fruto do treino arduo de um ano inteiro, leva aos participantes finalizarem os preparativos e mergulharem de corpo e alma na competicao:

Assim, da-se o inicio ‘as tomadas de posicao:

Mas a situacao depressa se agrava com trovoadas e relampagos sendo considerada extremamente perigosa e a competicao e’ finalmente suspensa.
O Dragao foi derrotado pela Chuva!
Nota-se uma certa tristeza em certos olhares

Mas depressa se compreende que chorar nao vale a pena, pois nao ha nada a fazer contra a mae natureza, fica a esperanca que ‘a proxima tudo corra melhor!

Como a chuva nao parava e nem nos horizontes cinzentos se avistavam sinais de o fazer, resolvi regressar a casa: 45 minutos debaixo de chuvadas que caiam na pele como pregos a tentar controlar a scooter que mais parecia um jet sky pelas ruas de Tainan que imitavam os canais de Veneza, tudo isto a pensar "daaaasssse... porque sempre aos fins de semana?!"

Neste momento, agora 24 horas depois destes acontecimentos, a chuva continua a cair submergendo parte da cidade de Tainan.
'A mais de 72 horas que chove e 'a mais de 24 horas que nao para de forma continua e intensa.
Afinal desta vez parece que foi so' praga de fim de semana!
Alguem que feche a torneira la’ em cima antes que esta ilha se afunde!