Wednesday, August 02, 2006

Birmania, para alem da cidade...

Como vimos, Rangoon, a capital e a maior cidade da Birmania, e' bastante pobre e com infrastruturas rudimentares.
Sem admiracao, constatamos que a situcao se agrava quando de la' se sai:

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Os meios de transporte, nao sao muito diferentes daqueles utilizados ha' decadas atraz...

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As vias de comunicacao sao um perigo, para quem nao conheca e mesmo se desloque a velocidade moderada.

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As condicoes de vida sao ainda mais precarias...

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As pessoas ainda mais humildes...

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E as criancas ainda mais privadas de tudo...


photos by Nic @ Burma - April 1998

Friday, July 28, 2006

Ao Andre'...

Photobucket - Video and Image Hosting Em Paris, quem entra no patio central do “Palais Royal”, do lado do Museu do Louvre e precorrer o longo corredor do lado esquerdo debaixo das arcadas, acaba por chegar ‘a porta No.30 e encontra uma pequena loja-galeria de acessorios de moda, baptizada com o enigmatico nome de “on aura tout vu”.
Este espaço, que nos pergunta “terá-se tudo visto”, e’ o produto de tres almas que criam arte em sintonia. Sao elas a Livia, o Yassen e o Andre’, tres pessoas amigas que eu admiro, nao so pelo seus percursos de vida, como tambem pelo que sao como individuos e pelo que conseguiram como equipa. A Livia e o Yassen vieram em caminhos separados do mesmo país (da Bulgaria) e o Andre veio de Portugal. Todos os 3 tiveram um passado intenso, cada um em seu mundo, sem se conhecerem mutuamente, ate’ que o destino os juntou ha’ uns anos, em Paris.
Ate’ ‘a cerca de 4 anos, por razoes de trabalho, ia frequentemente a Paris, e o pouco tempo livre que dispunha, passava-o no atelier do “on aura tout vu”, a conversar e a observar com imensa admiracao, a forma como os tres amigos trabalhavam e partilhavam as tarefas entre si. Da concepcao, criacao, escolha e aplicacao de materias, ate’ ‘a exposicao e admiracao da obra acabada. Preocupacoes na pesquisia, seleccao e encomenda de materiais; pagamentos que nao esperavam e recebimentos que nao chegavam, eram frequentemente razoes para lhes causar algum stress, mas eles apoiavam-se sempre uns aos outros e nunca se deixavam abater. Sempre ocupadissimos, de manha ate’ a horas tadias da noite, nao paravam, tomando a maior parte das refeicoes 'a mesa de trabalho no atelier. Raras vezes tinham tempo de sair para jantar, mas quando os visitava, arranjavam sempre tempo para me convidarem para um jantar sempre animado com conversas interessantissimas que involviam as suas aventuras passadas e presentes de cada um. Eram para mim, uma enorme fonte de inspiracao a varios niveis.
Photobucket - Video and Image Hosting Foi num jantar desses que o Andre me contou um pouco de como tinha sido o seu percurso. Natural da minha cidade natal, conhecia o Andre de vista durante 2 anos em que frequentei o liceu local. Ja' nessa altua, o Andre nao pretendia provar nada a ninguem, mas nunca abdicou de ser quem ele era. Ha’ varios dias quando li no blog Gengibre Lilas, um artigo de João Miguel Tavares (publicado no Diário de Notícias no 14 de Julho de 2006), lembrei-me do Andre’. Lembrei-me de ele me ter contado como tinha sido infeliz na sua juventude em Portugal, pelos dedos que lhe apontavam, os comentarios ofensivos que lhe faziam, as ameacas e pancadas que lhe davam, apenas porque ele era quem ele era e nao o escondia. O Andre’ ja' nessa altura, como adolescente, nunca se deixou ir abaixo e encarava a sua situacao com uma enorme forca interior, de forma heroica.
Mais tarde seguiu o seu caminho, partiu ‘a procura de mais respeito, de aceitacao e de tolerancia e foi para Londres onde estudou e trabalhou.
Lembro-me do Andre me contar um episodio passado em Londres que ilustra bem o espirito dele. Enquanto estudava e trabalhava, passou por tempos dificeis e o dinheiro era limitado. Um dia, ao passar por um pub cujo nome fazia alusao 'a cidade do Porto, sentiu enormes saudades de Portugal e apeteceu-lhe entrar e pedir um calice de vinho porto. O Andre nao tinha dinheiro, mas entrou na mesma e pediu o vinho. Saboreou-o pausadamente, ‘a medida que ia recordando o caminho dificil que o tinha ali levado. No fim, confessou ao barman que nao tinha dinheiro para pagar e ofereceu-se para lavar copos. Este episodio foi um exemplo do espirito de lutador que o Andre' sempre teve, nao se deixando ir abaixo com as dificuldades que a vida lhe ia oferecendo e encarando-as com um certo humor.
Entretanto acabou o curso e foi para Paris onde conheceu o seu companheiro, Yassen e a sua amiga Livia. Os 3 tinham em comum a forca necessaria que transforma sonhos em realidade. E com muita energia, lancaram-se no projecto de tornar um sonho em comum, numa obra visivel a todos.
Os primeiros tempos nao foram faceis, mas mais uma vez nada o detinha e agora muito menos acompanhado da pessoa que amava e de uma grande amiga. A cada visita que eu lhes vazia, nao podia deixar de os admirar, nao so pela sua fabulosa capacidade de criar, como tambem pela luta diaria de trabalho sem descanso. 'As vezes via o Andre’ nas voltas em Paris com a sua motorizada, mais tarde com um citroen de muitos anos comprado num leilao, sempre em movimento e cheio de vida.
Ano apos ano, continuavam a ser para mim a maior fonte de inspiracao e o melhor exemplo de realizacao de projectos, que eu conhecia pessoalmente.
Nos ultimos anos que me desloquei a Paris em trabalho, o sucesso eminente e crescente da “on aura tout vu” era evidente, eles comecavam a trabalhar para grandes casas do mundo da moda. O atelier crescia e ja’ contava com algumas empregadas. Mas eles continuavam na vida ardua, cansados mas sempre com um entusiasmo incrivel e com uma postura de humildade, como se tudo o que tinham conseguido, nao fosse mais do que deles se esperava.
Em 2000 recebi-os em Hong Kong, contentes por terem assinado um contrato com uma das grandes lojas dessa cidade.
Entretanto em 2002, mudei de emprego e de país e deixei de ir a Paris. Por circunstancias de vida de ambos os lados, a comunicacao parou.
Nunca no entanto me esqueci destes magnificos 3 amigos e lembrava-me frequentemente deles, planeando uma visita assim que me fosse possivel...

Ha’ uns meses encontrei uma velhas fotos de Paris (que aqui publico) e lembrei-me do Andre'; ha' uma semanas em arrumacoes, encontrei os primeiros catalogos da “on aura tout vu” e lembrei-me do Andre'; ha’ uns dias, quando li o artigo acima referido do João Miguel Tavares, lembrei-me do Andre'.
Lembrei-me que deveria arranjar tempo para o ir visitar... mas nunca lhe telefonei ou entrei em contacto com ele.

Ontem, recebi uma daquelas noticias, que nos cai em cima como um balde de agua gelada:

O Andre' partiu para a sua ultima viagem.
O Andre’ morreu.
O Andre morreu no dia 30 de Dezembro de 2005.
O Andre’ morreu ha’ sete meses.

O Andre' morreu sem eu nunca lhe ter dito quanto eu o admirava, nao pelo seu sucesso, pois esse foi uma consequencia dele ser quem era, mas sim pela sua bravura de nunca se deixar vencer e de ter sido sempre quem ele era.

Num acto quase irracional, talvez resultante da falta de preparacao e do desfasamento do tempo que ocorreu entre a partida do Andre' e a chegada desta noticia, como se fosse ‘a procura dele e‘a procura do tempo que passou sem o visitar, fui 'a procura dos passos que precorreu durante os anos que nao o vi, fazendo uma busca na internet.
Mesmo agora, meses depois da sua morte, o Andre' fez-me sorrir ao olhar para a caminhada que deixou. Os resultados da busca, devolveram-me por alguns minutos o Andre'.
Fiquei contente pelo sucesso e o reconhecimento internacional que o Andre atingiu.
O Andre foi alvo de pancada no liceu, a qual ele sabia e desculpava por ser oriunda de ignorancia e limites dos que o agrediam, deixou o país com a magoa de quem e’ agredido e nao aceite, mas antes de partir para a sua ultima viagem, O Andre' trinfou e o mundo reconheceu-o!

Andre’, tu venceste, a tua estrela continuara’ a brilhar para sempre!

Assim da janela, do No.30 dos arcos do Palais Royal, em Paris ficara’ para sempre o brilho duma estrela que partiu antes do seu tempo, Andre de Sa Pessoa.

"Ils étaient trois. Ils sont deux aujourd’hui. Livia et Yassem, sans André, sa délicatesse, son ironie joueuse, sa beauté de prince de miniature persane, c’est presque inconcevable – mais tout aussi inconcevable que de ne pas lancer cette dernière collection conçue à trois…
L’excentricité des bijoux d’On aura tout vu a longtemps égayé les défilés de haute couture et c’est dans la joaillerie d’apparat des grandes aristocrates du Portugal – le pays d’origine d’André – que le trio a puisé son inspiration."


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"Each garment from the skilful Bulgarian trio who go by the name "On Aura Tout Vu" - Livia Stoianova, Yassen Samoilov and Andre de Sa Pessoa - reads like a fairy tale character. They're known for the unusual materials incorporated into the whimsical shapes and forms of their clothes."

"Une Smart d’exception
La Smart Lalique « on aura tout vu » est un véhicule d'exception, né de l’imagination débordante des créateurs Livia Stoianova, Yassen Samouilov et André de Sa Pessoa, en Janvier 2003, à l'occasion des collections de Haute Couture."


"The trio of Portugese and Bulgarian designers behind On Aura Tout Vu, only recently recognised by the Fédération Française de la Couture, dazzle their audience each season with their skilled use of colour and texture."

"Now officially part of the Parisian Chamber of Couture, Livia, Yassem and André, the three young designer behind On Aura Tout Vu are going from strength to strength."

Sometimes it takes three to tell the story. The story for the trio this season takes us into the world of semi-precious stones which for many of us have symbolic and spiritual meaning. The talisman and the amulet have always had a special place in the design of on aura tout vu.

In January 2005, seven more couture houses were invited to show there collections:
Elie Saab : On Aura Tout VU : Laurent Mercier : Ralph Rucci : Marc Le Bihan : Ste Phane Saunier : Maurizio Galante :


"On the fringes, the Bulgarians Livia Stolanova and Yassen Samouilov, along with Portuguese designer Andre De Sa'Pessoa, offered a madcap version of folkloric chic for On Aura Tout Vu, while the corsetier Hubert Barrère transformed corsets into clothes."

"Dior, Armani, Chanel, Elie Saab, Gaultier, Reinaldo Álvarez, Valentino, Lacroix, Gyvenchy y el trío formado por Livia, Yazme y André, al frente de On aura tout vu son algunos de los célebres costureros que presentaron sus exquisitas y lujosas creaciones en la pasarela de París la primera semana de febrero.
(…)
La firma On aura tout vu presentó una colección de colores vivos y un sinfín de joyas colocadas sobre el pelo y sobre cada uno de sus vestidos indudablemente alta costura, por su corte y su sofisticada confección."


COLECCIONES OTOÑO/INVIERNO 2006/07
JULIO 2006: SEMANA DE LA MODA DE PARÍS - ALTA COSTURA
Pasarela de París - Alta Costura
Semana de la moda de París
VER PASARELAS DE DISEÑADORES
Armani, Martín Margiele, Felipe Oliveira, Dior, Chanel, Valentino, Christian Lacroix, Givenchy, Dominique Sirop, Elie Saab, On Aura Tout Vu, Jean Paul Gaultier, Franck Sorbier, Anne Valerie Hash, Adeline Andre, Georges Hobeika, Eymeric Francois, Khaled al Masri, Pascal Millet,...


Portuguese Jewelry in Beijing
Contemporary jewelry designs by Andre Sa Pessoa and Yassen Samouilov


fall 2002

spring 2003

spring 2005

spring-summer 2006

fall 2006

fall-winter 2006-2007

On Aura Tout Vu
Création de On Aura Tout Vu présentée lors des collections haute couture 2006/2007 à Paris. 07 juillet 2006

Friday, July 21, 2006

3 Years Tripping

"Viajo com as mãos por entre as montanhas e os rios..."

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O Trippping Out of My Space, faz hoje 3 anos.

Para festejar a ocasiao, ha' musica no ar (podendo ser iniciada carregando na palavra "Music" acima 'a direita) e roupa nova criada pelo talentoso Eu, a ele agradeco-lhe por se ter prontificado a criar este template sem me pedir nada em troca, mesmo sem me conhecer e pelo enorme trabalho que teve.
Um grande obrigado ao Eu!
As fotos que passam em cima no cabecalho, foram quase todas aqui publicadas anteriormente e representam um caminho precorrido.

Para abrir este post, destaquei com imensa dificuldade, uma das muitas fotografias preferidas colocadas aqui ao longo deste terceiro ano. A escolha, nao foi decidida por se tratar apenas de uma crianca com um sorriso lindo, pois com esse criterio, encontram-se neste blogue imensas outras fotografias. A razao pela qual acabei por escolher esta fotografia, foi uma razao pessoal. Trata-se duma crianca ca’ de Tainan, onde presentemente resido. Acho que o seu sorriso e olhar representam bem a forma genuinamente simpatica e carinhosa com que aqui sou recebido e aceite. A essas energias positivas, devo a inspiracao para os posts e paralelamente, para a vida.
Obrigado Tainan!

Como se trata de mais um aniversario, aproveito para fazer uma retrospectiva do caminho que nos trouxe ate' aqui.
Recuamos a Julho de 2003, terminava entao um periodo dificil aqui em Taiwan, de isolamento, risco e incertezas. A SARS que nos isolou fisicamente e pessoalmente durante cerca de 4 meses, quao "Ensaio Sobre a Cegueira" de Saramago, tinha finalmente sido controlada. A liberdade e seguranca da rotina acabava de se restabelecer em Taiwan. E nesse ambiente, ao procurar as noticias do dia, encontro um artigo sobre o “Blogger”. De imediato decido experimenta-lo, iniciando de forma impulsiva e experimental, o Tripping Out of My Space, com este primeiro post.
O primeiro ano decorre de forma instavel, como uma aventura no desconhecido. O objectivo inicial do blogue perde-se um pouco, ora no tema ora em periodos de paragem absoluta. O primeiro aniversario e' mencionado com algum atrazo neste post do 1o Aniversario.
No segundo ano, gracas aos comentarios das pessoas que o visitam, o Tripping ganha algum balanco e finalmente reencontra o caminho que lhe tinha sido inicialmente tracado. O segundo ano e' assinalado com este post do 2o Aniversario.
Hoje o Tripping Out of My Space completa 3 anos e se alguma maturidade ou evolucao e’ aparente, deve-se muito ‘as pessoas que o visitam e o complementam com a sua contribuicao.
A tod@s, o meu muito obrigado!

Retrospectivas levam-nos de onde partimos a onde estamos e tambem a pensar onde queremos ir. Confesso que este blogue, foi ganhando quase uma vida propria ao ponto de influenciar as minhas accoes. Destaco por exemplo as reaccoes das pessoas que o visitam, durante a minha primeira visita ao Sri Lanka. Apesar de nao me conhecerem, demonstraram um enorme apoio e carinho. Era impossivel ficar insensivel a estas demonstracoes, que acabaram por me motivar ainda mais, a partilha aqui de sorrisos de criancas. E para os colocar aqui, e' 'as vezes necessario provoca-los, sendo precisamente este processo, onde eu sinto que poderei fazer muito mais. Deste modo, o blogue atravez da interaccao dos seus leitores, motiva-me a continuar nesta caminhada tendo isso em consideracao - provocar sorrisos e se possivel de longa duracao!

Por outro lado, estou consciente de que o blogue possa, por vezes ser interpretado como uma forma de exibicionismo e dai' criar, sem o querer, frustracoes. A esse respeito, tento o meu melhor possivel para nao projectar tal imagem nem provocar tais sentimentos. Se isso acontece deve-se talvez 'a minha incapacidade de compartilhar, sem focar na minha pessoa. Tento ao maximo, focar no objecto que exponho anulando-me o mais possivel, para oferecer a liberdade a quem le, de se ver involvido nas imagens ou experiencias relatadas.
Se tenho objectivos com este blogue, e' sinceramente a partilha de momentos marcantes que tive a sorte de viver. Apenas para compartlhar as sensacoes que se possa vir a ter ao olhar ou ler e nunca para mostrar o que eu proprio atingi, isso e' irrelevante para aqui. Procuro tambem influenciar de forma positiva quem o le, mostrando que quando se quer algo com muita forca, e' muito provavel que esse algo se venha a realizar. Este blogue nao pretende ser tanto sobre o autor mas sim sobre o que ele quer compartilhar!

Para terminar este ja longo post, recordemos aqui, mes a mes, os espacos por onde andamos juntos neste 3o ano, que hoje se completa:

"Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim..."



Agosto 2005
Continuamos na Ilha dos Pescadores, no arquipelago de Taiwan
Recordamos a Argelia, Goa e suas Gentes e fomos a Macau.
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Setembro 2005
Fizemos novos amigos em Lisboa e Zurich.
E partimos para Tokyo.
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Outubro 2005
Dormimos em Tokyo, numa capsula e em Kyoto, num ryokan.
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Novembro 2005
Mais a sul testemunhamos a loucura de Osaka, a renascimento de Kobe e a preservacao de Nara.
Voltamos a Macau, onde decorriam os Jogos da Asia logo de seguida o Grande Premio. Passeamos pela noite com aroma de cafe' e samba.
Confissoes nas pistas de danca.
Completei 3 anos na Formosa.
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Dezembro 2005
Visitamos Hong Kong e celebramos o aniversario do ultimo dia da ultima colonia.
Demos grandes passeios por Tainan, e chegamos 'a conclusao que nao e' preciso ir muito longe para ver a vida sorrir.
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Janeiro 2006
Cambodja ocupou-nos o mes e os sentidos, cheio de pequenos encontros com grandes herois, que apesar de tudo nao deixam de sorrir.
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Fevereiro e Marco 2006
Regressamos ao Sri Lanka. Precorremos as ruas de Colombo, visitamos escolas e uma em particular que voltou a ter paredes. Sob o azul imenso e sois dourados, contemplamos o mar de Sofia e vimos como voam os salteadores dos sonhos perdidos. Notamos a esperanca nos olhares resistentes que nos sorriam.
Fizemos o balanco das campanhas de caridade apoiadas pelo Tripping.
E celebramos os anos 80 com a manita.
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Abril e Maio 2006
Recordamos o Nepal, torcemos pelo restauro da democracia que finalmente foi conseguida.
Revemos um pouco 'a doutrina do desejo. Subimos aos Himalaias e homenageamos os pequenos grandes herois.
A manita inicia o fim dum percurso.
O Ang Lee veio 'a terra.
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Junho 2006
Descemos ao fundo do mundo, 'a procura duma resposta. Nao nos deixamos enganar com a beleza plastica e as ondas da vida devolvem-nos aonde por agora se pertence.
Do outro lado do planeta, a Equipa das Quina, continuava a marcar e a sua performance e' apreciada mundialmente.
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Julho 2006
Encontramos a resposta que procuravamos la no fundo do mundo.
Inicia-se um passeio a Abril de 1998 na Birmania.
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"E voas sobre o mar, com as asas que eu te dou,
e dizes-me a cantar: "É assim que eu sou".
Olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo.
Olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo.
Eu não tenho nada mais p'ra te dar,
esta vida sao dois dias,
e um é para acordar,
das historias de encantar,
das historias de encantar."

Pedro Abrunhosa

Wednesday, July 19, 2006

As Criancas da Birmania e o Budismo

Num país governado por uma ditadura como a Birmania, torna-se ainda mais dificil obter a verdadeira percepcao dos factos.
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Foi-me dito que todas as criancas do sexo masculino, teem de passar um certo tempo (de meses a anos) num mosteiro budista.
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Depois, os que escolherem uma vida nao-religiosa, terao de regressar ao longo das suas vidas, todos os anos durante um periodo de varias semanas, 'a vida de monge.
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Isto para "oferecerem o seu tempo" e em troca "receberem merito" para os seus pais.
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As pessoas que me relataram tais factos, consideram estes habitos e costumes, naturais e parte da cultura birmanesa.
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Outras versoes mais tristes sao relatadas por organizacoes cristas (aqui nao confirmadas), que acusam o governo de obrigar todas as criancas a passarem algum tempo em mosteiros budistas, independetemente da religiao de que sao oriundas.
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Como marginal, dau-me a ideia que certas criancas mais desfavorecidas, infelizmente so teem acesso a alguma educacao e a uma nutricao adequada, durante o tempo que permanecem nos mosteiros.
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Sendo a generosidade na Birmania, um valor universal, a comida e'lhes pelo menos garantida!

photos by Nic @ Burma - April 1998

Tuesday, July 18, 2006

Budismo na Birmania

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O Budismo na Birmania, e' a fundacao sobre a qual assenta a cultura birmanesa, sendo tambem em muitos casos o refugio que alimenta o corpo e fornece a unica alternativa 'a educacao que em varias alturas da historia recente esteve interdita pela ditadura, com a desculpa de evitar revoltas.
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"According to many Buddhism Experts, Burma, the land of pagodas, is the only country in the world where Theravada Buddhism flourishes most and also the only country in the world where there are Pali Athakathas and Tikas completely published. (...) There are fifty two thousand monasteries, over one thousand monastic institutions (Colleges) and two State Pariyatti Sasana Universities (Yangon / Mandalay) plus the newly-opened International Buddhist Missionary University . There are also sixteen hundred thousand Bhikkhus and twenty five thousand novices and more than five hundred Meditation Centres. Myanmar had been twice blessed by the holding of the last two International Theravada Buddhist Councils (Synods). Tipitakadhara examination, another unique feature, ( to memorize and recite 8025 pages of the Tipitaka) has been held annually for many decades and so far six bhikkhu candidates have passed both oral and written parts."
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"The monks set out each day at first light with their alms-bowls and wander silently through the village or town collecting the food for the day. On returning to the monastery they will share the food and usually eat communally finishing their meal - for some monks their only meal - before miday."
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"Every country or every race has its own moral culture, which is the characteristic of that country or that race. As for Myanmar, it has its own culture, which is based on Buddhism."
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"Since a monk gets his daily food from such regular alms-round and because he does not partake of anything after noon, he needs no money for shopping in the market; he needs no other utensils to prepare and cook his food. He has no means of storing food for the next day either. Thus he is free from all the troubles in connection with food. If only he has a bowl to put the alms in, and if only he is healthy and strong enough to go out in the morning to receive the offertories from the devout families, then he gets enough food to sustain himself for the day. The food he receives is well cooked and usually the best part of the meal. So a monk has nothing to do with kitchen work and recipe collection or menu itemization."
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Artigos sobre a influencia do budismo na Birmania, aqui, aqui ou aqui.
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photos by Nic at Rangoon, Burma - Apr.1998

Friday, July 14, 2006

Refrescar em Rangoon!

Na Birmania, ha' alturas do ano em que o calor e' de facto infernal, mesmo para os proprios birmaneses. No entanto para alguns, esse calor e' a fonte do seu ganha pao.
Um pouco por toda a cidade de Rangoon, encontram-se vendedores de "agua de gelo".
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Quando a sede aperta, os vendedores de agua la' estao, dispostos e contentes para ajudarem a resolver o problema. Pela modica quantia duns tostoes, pode-se comprar um copo de agua de gelo (copo nao incluido).
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A agua e' obtida a partir do descongelamento dum pedaco de gelo, previamente colocado num filtro (do genero dum filtro tradicional de cafe') e vai pingando, gota a gota para um copo. Antes de ser servida ao cliente, essa mesma agua e' passada varias vezes pelo pedaco de gelo, para resfriar mais um pouco. A higiene deixa muita a desejar, desde a origem do gelo, 'a propria agua utilizada e ao facto dos copos serem re-utilizados sem lavagem. Mas isso sao tudo requesitos desnecessarios para os sistemas imunologicos dos birmaneses, habituados 'as condicoes precarias que o país lhes oferece. O risco de contrair uma doenca, e' no entanto, enorme para um estrangeiro!
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Para os mais abonados, uma alternativa mais doce, uma fatia de melancia ou um pouco mais caro, um sumo de melancia!

E para melhores resultados e' aconselhavel polvilhar (ou barrar) a cara com po' de tanaka (1), tal como a crianca na primeira foto e a senhora da segunda, pois para alem de refrescar absorvendo o suor, e' considerado um cosmetico natural, protector solar e replente de mosquitos!

(1) Genero de po' de talco, de cor amarelo palido, feito a partir da serradura da arvore Tanaka, abundante na floresta tropical da Birmania.
O fruto desta arvore tambem e' comestivel, e dado 'a sua forma (de maça) e ao seu gosto e consistencia (mais a madeira do que a maça), e' designado em ingles por "wood apple".



photos by Nic @ Rangoon, Burma - April 1998

Tuesday, July 11, 2006

Abril em Rangoon

Aterramos em Rangoon, actualmente designada Yangon (1), capital da Birmania, em Abril de 1998.
De imediato nos foi bruscamente removido das bagagens, quaisquer associacoes entre Abril e Primavera, liberdade e democracia.
O simbolismo de Abril na Birmania, nao podia estar mais afastado, do simbolismo de Abril em Portugal. E estabelecer qualquer comparacao, seria descabido e surreal.
Abril em Rangoon, bem como no resto do país, queima como um inferno. O calor faz-se sentir com tal intensidade, que o país ja' de si quase parado, para na totalidade nas horas mais quentes do dia.
Aproveitando a referencia feita no post anterior ao romance de George Orwell, "Burmese Days", e 'a sua excelente capcidade de descrever o meio ambiente e de o transmitir ao leitor, destaco os seguintes enxertos, para deixar aqui uma ideia do clima na Birmania no mes de Abril:

"...the month was April, and there was a closeness in the air, a threat of the long, stifling midday hours."

"The heat rolled from the earth like the breath of an oven. The flowers, oppressive to the eyes, blazed with not a petal stirring, in a debauch of sun. The glare sent a weariness through one's bones. There was something horrible in it--horrible to think of that blue, blinding sky, stretching on and on over Burma and India, over Siam, Cambodia, China, cloudless and interminable."

"Look at that bloody sky, not a cloud in it. Like one of those damned great blue enamel saucepans."

" (2)...the sun glared in the sky like an angry god then suddenly the monsoon blew westward, first in sharp squalls, then in a heavy ceaseless downpour that drenched everything until neither one's clothes, one's bed nor even one's food ever seemed to be dry. It was still hot, with a stuffy, vaporous heat."


Tal como o calor, o governo tambem abrasa e queima quem discordar e nao cumprir com as regras da ditadura militar.
Os conceitos de democracia e liberdade na Birmania, sao infelizmente ja' de si dificeis de imaginar, pois oficialmente nem existem.

Estes sao os primeiros aspectos a nao passar despercebidos aos recem chegados. Para a agressevidade do clima, nao ha' sinais de aviso, mas para o clima politico, ha' um pouco por todo o lado, placards com slogans que servem para "educar" tanto os cidadaos como os eventuais visitantes que nao tenham logo compreedido onde se encontram.
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- Oppose those relying on external elements, acting as stooges, holding negative views.
- Oppose those trying to jeopardize stability of the State and progress of the nation.
- Oppose foreign nations interfering in internal affairs of the State.
- Crush all internal and external destructive elements as the common enemy.


traducao livre:
- Opoem-te 'aqueles que se baseiam em elementos exteriores, procedem mal possuindo pontos de vista negativos;
- Opem-te 'aqueles que tentam minar a estabilidade do Estado e progresso da cao;
- Opem-te 'as nacoes estrangeiras que inteferem nos assuntos internos do Estado;
- Esmaga todos os elementos destrutivos, internos ou externos, considerados inimigos.

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O isolamento da Birmania do resto do mundo, e' patente e a sensacao de se recuar no tempo e' estranhamente nao fantasia.
O "progresso" parou com a retirada dos colonialistas e nem a manutencao do que ja' existia se iniciou. A corrupcao da ditadura, cria pobreza.
A cal e o asfalto vao se degradando, consomindo as pessoas e infrastruturas ate' ao ultimo tijolo.
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O comercio e' quase inexistente, para alem dos mercados e dos pequenos cantos de rua que vendem cha', frutas e agua de gelo.
O entretenimento era na altura proibido. Tinha recentemente fechado o unico pub "Johnny Guitar" que passava musica estrangeira e atraia turistas. Uma capital sem um bar, apenas os cantos de rua com pequenos bancos de plastico, serviam a local de encontro.
'A noite, as ruas ficam desertas e a escuridao e o silencio abatem-se sobre a cidade e os seus habitantes.
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Os meios de transporte eram tambem muito rudimentares e inexistentes
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sendo o caminhar o mais corrente deles todos.
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Em vez de autocarros, eram as camionetas de carga apinhadas de gente
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que serviam para transportar pessoas, nos percursos mais longos.

Rangoon e' apesar de tudo, uma cidade povoada de gente simpatica e humilde, visivelmente assustada pela propria tentacao de se aproximarem e falarem com turistas. A sensacao de "big brother is watching you" e' incrivel e visivelmente sentida, havendo mesmo teorias que defendem que George Orwell visualizou a Birmania de hoje, quando escreveu "1984".
Abril em Rangoon e' como todos os outros meses, sem liberdade e sem democracia apenas com uma pequena diferenca: Abril em Rangoon e' um mes que o sol imita o govermo, mirando ferozmente o povo como um deus enfurecido (2).


(1) Yangon e' formada por duas palavras "yan" que significa "inimigos" e "koun", "livrar-se de", o que em traducao livre para portugues, seria qualquer coisa como "Livrar-se de inimigos", o que pessoalmente acho um nome descabido para uma capital e por isso prefiro chamar-lhe Rangoon.

photos by Nic @ Rangoon, Burma - April 1998

Monday, July 10, 2006

Vêm aí dias na Birmânia

Nao, nao me referia 'a magnifica obra de George Orwell, "Burmese Days", mas ja' que lhe estou a emprestar o titulo e atendendo ao actual clima que se vive nas terras da sua magestade, aproveito para lhe fazer um pequeno apontamento e recomendar a sua leitura.
Em "Dias na Birmânia", Orwell retrata-nos a Birmania dos anos 30 do seculo XX, durante a ocupacao britanica, destacando o impacto do imperialismo na sociedade local. Esta obra ajuda-nos a compreender a Birmania (actualmente designada por Myanmar) de hoje bem como as actuais reaccoes menos nobres dum povo com um grande passado de domínio sobre outros.
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"Os leitores de Kipling e seus heróis ingleses ou nativos nos países do Império Britânico devem ler esse romance de Orwell para descobrir a face menos gloriosa da dominação colonial - o preconceito, a mesquinhez, a arrogância de parte a parte."

Feitas as referencias merecidas por razoes opostas, regressamos ao titulo deste post e ‘a razao pela qual inicialmente, o tinha escrito. Inicia-se aqui uma serie de posts dedicada a Myanmar (ou Birmania, como eu lhe prefiro chamar).
Photobucket - Video and Image HostingRespondendo a mais uma sugestao do Swatch, recuei a Abril de 1998 e fui de novo ao bau das memorias para recordar, reviver e compartilhar aqui um pouco da Birmania que entao vi.
A tomada de decisao para se visitar a Birmania (país com longo historial de opressoes, passando de colonia a ditadura military), continua a ser polemica, ate' aos dias de hoje, na medida em que o turismo pode ser visto como um apoio ao actual regime. Nao discordando totalmente deste ponto de vista, penso que para penalizar o governo deste modo, boicotando quaisquer visitas ao país, penalizasse de forma mais intensa, o proprio povo que pode eventualmente beneficiar directamente da nossa presenca. A decisao e forma de agir cabe portanto a cada um. A minha foi de ir ver o que la' se passava.
Photobucket - Video and Image Hosting Nos proximos posts veremos como o isolamento e opressao politica na Birmania, nos ilustra demasidamente bem o conceito de recuar no tempo.
Visitaremos Rangoon (ou Yangon como actualmente e' designada), a actual capital e observaremos o modo de vida humilde dos seus habitantes.
Subiremos lentamente e dificilmente um rio quase sem agua ate’ ao norte do país, ‘a regiao do Triangulo Dourado, onde assitiremos a auroras e a acasos que fazem juz ao nome da regiao. Photobucket - Video and Image Hosting Vistaremos tambem a velha capital, Mandalay e a cidade dos templos perdidos, Pagan. Ai’, a beleza natural nos fara’ esquecer por momentos a precaria situacao deste povo que nos acolhe.
Mas esta alienação sera’ sempre por breves instantes, pois os olhares 'a nossa volta, lembram-nos constantemente a que ponto a opressao duma ditadura reduz um país. Photobucket - Video and Image Hosting E tambem por isso, nao nos passara’ despercebida a forma como este povo aceita a sua pobreza, como se a alternativa nao existisse, procurando alimento e refugio na religiao budista e razao de viver na sua riqueza cultural.
Para impedir que a educacao faça acordar o comformismo, o governo manda encerrar as escolas. Photobucket - Video and Image HostingE assim, neste ambiente abusivo, mais uma vez se distinguem os pequenos herois e veremos como eles sao obrigados a lutar cedo demais apenas pela sua sobrevivencia. A eles, cujas infancias lhes sao prematuramente roubadas, dedico-lhes esta serie sobre a Birmania - um país amordaçado pela voz da propaganda!

1a photo daqui, 2a photo daqui.
Restantes fotos by Nic @ Myanmar - April 1998